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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Atenção Básica

Clássico Neoliberal. Por razões óbvias,
raramente citado como guia de
Política Pública de Saúde.  
 O intenso debate que se seguiu ao longo das décadas de 1970 e 1980 levou a um reforço considerável do papel da organização dos sistemas de saúde no mundo. A recessão mundial e suas consequências conduziram diversos países a reorientar seus investimentos públicos em áreas chamadas de sociais (educação, saúde, segurança, etc) segundo a emergente Cartilha Neoliberal. Cortes de investimentos, reorientação do financiamento público, novas formas de se pensar e agir foram implantadas como salvação para as dificuldades que se impunham aquela época.
Apesar da forte pressão que o setor econômico sobre o Estado na busca por melhores condições de produtividade e, portanto, de obtenção de lucro, as reformas não aconteceram sem que houvesse resistência. Assim, no campo da Saúde Pública, tornou-se imperativo que um conceito que a muito vinha sendo utilizado sem que uma definição clara lhe fosse dada, emergisse do campo dos conceitos-sintomas para uma forma de conceito-chave: a Atenção Primária a Saúde.
Apresentada pela primeira na Grã-Bretanha, no ano de 1922, pelo Serviço Nacional de Saúde, a Atenção Primária a Saúde se propunha a ser uma forma de organizar o embrião de um sistema de saúde (que se tornaria universal no ano 1946) em três níveis de atenção: Primário, Secundária e Terciário. O nível primário serviria de porta de entrada para a população ao sistema de saúde e seria uma projeto diretor da alocação de recursos deste mesmo sistema. Explicando melhor: por estar descentralizado, regionalizado e em contato frequente com a população, tal nível de atenção seria capaz de avaliar as necessidades de sua área física de ação e alimentar com dados e novas formas de trabalho todo o sistema.

domingo, 26 de setembro de 2010

Neoliberalismo e Impactos na Saúde



Mais que um conjunto de diretrizes econômicas, o Neoliberalismo se configura como uma maneira de organizar a cadeia produtiva ou ainda as relações interpessoais constituindo-se, portanto, numa Ideologia.  As suas raízes podem ser encontradas no Liberalismo, sistema político econômico que defendia a liberdade individual em diversos campos em detrimento de uma suposta ingêrencia social. A partir disso entende-se que  as liberdades individuais estariam acima das liberdades "sociais" demandando que a livre iniciativa humana fosse a mola mestra na construção das relações sociais. Colocado de forma prática, o seu cerne está na idéia de que uma certa "mão invisível" controlaria as relações de produção gerando uma ordem benéfica a sociedade. 
Com a série de críticas que surgem a esta visão de mundo e as diversas crises geradas (a de 1929 sendo a mais famosa) o Liberalismo como política de estado entraria em torpor por alguns anos abrindo espaço para a lógica do Welfare State.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a reorganização geográfica-política do mundo a idéia do Welfare State (incorporado na figura de John Maynard Keyneem função do New Deal) vai predominar nos países centrais (EUA, Europa) ainda que já passe a sofrer ataques conceituais, como é o caso do livro O Caminho da Servidão"(1944), de  Friedrich von Hayek. A hegemonia do conceito de estado forte só viria a ser abalado a partir dos anos 1970 com a Crise do Petróleo. 

Antes de tudo uma crise de superprodução cuja ponta de lança foi a reestruturação das forças produtivas da Europa e Japão, teve como resultado um processo de recessão econômica em escala mundial. Seus desdobramentos seriam os de sempre: desemprego, piora nas condições de vida, diminuição do crescimento econômico, etc. Era necessário, portanto, que se apresentassem soluções para o impasse. É aí que o receituário Neoliberal passa a ser aplicado. 
Charging Bull, Símbolo de Wall Street
Como seus conceitos já vinham sendo discutidos acadêmicamente desde os anos 1940 (criando modelos, formando economistas para o Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, etc...) sua aplicação seria dificultada senão pela resistência popular. Magaret Thatcher e Ronald Reagan ficariam famosos pela defesa de tal modelo em seus países, ficando famosa a citação deste ao referir-se a economia : Let the bull run free! (Deixe o búfalo correr solto!)
De forma tardia, o Brasil veria um ensaio da aplicação da cartilha Neoliberal no Governo Collor, no início dos anos 1990, e sua adoção como política de Estado a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso. Diversos elementos no discurso da grande mídia passariam a fazer parte no nosso dia a dia. Ressucitou-se o conceito do Cidadão , oriundo do Iluminismo, em que o indivíduo é um ser cujo papel fundamental é o econômico e não o social. Aparece com força a Sociedade Civil, grupo social que não é político e nem militar, mas ainda sim o principal responsável pela sua realidade. Disto constrói-se a lógica de que o Estado inerentemente lento, corrupto e incapaz de oferecer soluções adequadas. Os problemas sociais passam a ser problemas unicamente de má gerência. A mobilização social dá lugar ao voto como única forma de transformação da realidade. Como bem coloca James Petras no seu artigo sobre Non-Governamental Organization: As ONGs no seu melhor servem a uma parcela mínima da população aliviando de forma imediata alguma das suas necessidade e, no seu comum, desorientando a todos quanto as questões profundas a serem debatidas.
Antes de tudo, o poder social de um indivíduo passa a ser visto como fluido, volátil, sem base econômica. O lifestyle substitui o conceito de classe social, dizendo que cada um tem pleno poder de escolha sobre os mais diversos campos da própria vida. Não há explicação isolada para determinado fenômeno, mas diversos. A educação, por si só, seria capaz de erradicar a pobreza. Ascensão da falácia pós-moderna. 
Assim,  dos dois últimos parágrafos, conclui-se que só é triste quem quer, só é pobre quem quer. 
Dentro da saúde o Estado mínimo neoliberal vai produzir uma reorganização do serviço de tal monta que até as relações entre os profissionais de saúde e a população serão afetadas. As ONG´s (3º setor) passam a ter papel central sendo vendidas como solução "civil" para as falhas do poder público. Assim, reforça-se a ação assistencialista ou a capacitação mínima para um mercado de trabalho incapaz de receber a pequeníssima parcela que receberá tal auxílio, lembrando-se que por mais que se force o discurso, tais organizações são intrinsicamente incapazes de substituir o Estado.

 A privatização tomará corpo na forma das OSCIPS (ONGS), OSS, FEDPs, PAS, etc...  A consolidação de uma lei de investimento para o SUS será negligenciada ou até mesmo atacada. A precarização da Saúde Pública servirá de mote para o favorecimento da Saúde Suplementar. O conteúdo programático das ações em Saúde do Ministério da Saúde será orientado por diversas Ações e Programas, centradas em necessidades sectarizadas, discutindo pouco o que as fragilidades dos mais diversos grupos teriam em comum atacando assim a essência dos problemas. O biopsicosocial passa a fazer parte das escolas do campo da saúde, ainda que possua sérias limitações epistemológicas ou permita, em grande medida, a culpabilização do doente por sua condição. A Reforma Sanitária e toda a discussão da 8ª Conferência em Saúde se esvaem como palavras escritas na areia.
O resultado das políticas Neoliberais foi sentido com vigor mundo afora. A Crise Imobiliária dos EUA e suas derivações são a mostra mais clara. Nos resta lembrar que o Colapso do Modelo Econômico em nada significa seu Colapso Ideológico.  




terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Complexo Médico-Hospitalar

Fonte: http://www.datasus.gov.br/cns/temas/Financiamento/FINANCIAMENTO-CADERNO~DE~TEXTOS.html


No nosso primeiro encontro, quando discutimos a História da Saúde Pública no Brasil, um dos conceitos mais utilizados foi o tal do Complexo/Indústria Médico-Hospitalar.
Especificamente no caso brasileiro, essa força social obteve grande impulso principalmente a partir da criação de um serviço IAP's, como citado no texto Historia da Saude do Brasil sendo até hoje um agente de enorme impacto na maneira como se construiu nossa forma de atenção ou mesmo a nossa percepção em saúde.
Por ser um tema com imensas implicações, portanto, não poderia faltar espaço para que ele fosse melhor discutido dentro do Núcleo. O texto a seguir, da Revista Sociologia, Formação do Complexo Medico Hospitalar no Brasil é bastante acessível e faz uma grande retrospectiva histórica, expondo o papel de elementos tais como o já citado Banco Mundial. Além de grande financiador do Estado, o BM é um grandes orientadores das ações públicas nesse setor. Vale ressaltar que na sua análise mais recente tal Banco ressalta que a situação horrível na qual se encontra a Atenção a Saúde no Brasil se deve principalmente a más escolhas na Gestão dos Serviços ou ainda na grande descentralização dos mesmos. Tais argumentos contradizem tudo ou em grande parte o que já foi discutido dentro do NESP. Um resumo no relatório pode ser encontrado aqui.
Não poderia faltar também uma fonte que falasse sobre o caminho que vem tomando o Complexo nos últimos anos ou ainda suas novas faces: Indústria Médico-Hospitalar ou o Médico-Financeiro. Texto da Scientific American Brasil, o Estratégias Discursivas propõe uma análise sobre a opinião geral sobre as causas da crise na Saúde e as contradições que as mesmas geram.

domingo, 22 de agosto de 2010

Conceitos de Saúde-2: Fechamento

A discussão em nossa última reunião, no dia 18/08/10, foi baseada na Determinação Social do Processo Saúde-Doença.
As apresentações de Rondinelli Salvador Silva e de Tiago Cherbo se encontram aqui e aqui respectivamente. Se houver problema na apresentação do Google Docs, basta baixar o arquivo usando o recurso do site de exibição.
Devido ao grande debate, interessante e acalorado, nos levou a colocar mais texto para subsidiarem outras discussões ainda mais explosivas!

Aqui você encontrará a Cartilha do Programa Nacional de Humanização- HumanizaSUS.

Além do mais, aqui está um artigo muito interessante que discute a questão da Humanização.

Se quiser dar uma espiada no número de ações e programa governamentais do Ministério da Saúde, veja aqui.

Se ficou em dúvida, sobre as ações e o que é o Banco Mundial, é só clicar!

E para aprofundar ainda mais, segue um texto muito interessante: CONTRIBUIÇÕES PARA O DEBATE DE SAÚDE


Para aqueles que ainda não conhecem, vale a pena dar uma olhada no Relatório Nacional de Determinantes Sociais. Apesar das grandes contradições intrínsecas a ele, o texto apresenta um avanço do entendimento das ações em saúde.
Com isso, deu até a origem deste vídeo com a Sandra de Sá! Aproveite!